
Sobre o Fazer, 11/02/2016
“Do fazer prático se produz material para conhecimento intelectual e didático.” Angel Vianna
“Caminhávamos pela rua, Klauss e eu quando nossos dedinhos mindinhos se encontraram, e nunca mais se deixaram.”
“….Esses dedinhos trazem os meridianos do coração, segundo a definição da Eutonia.” Angel Vianna
Definição de presença segundo Angel: integração do Mental, do Físico e do Espiritual.
Breve currículo e foco de trabalho e pesquisa, por ela mesma:
Angel e Klauss fundaram uma escola no Rio de Janeiro que se tornou um corredor cultural.
Nessa ocasião, Angel fundou o Teatro do Movimento, grupo que surgiu a partir da pesquisa de movimento do próprio grupo.
Vários coreógrafos e músicos participaram desse grupo e o resultado foi uma série de espetáculos, como: Pulsações, Domínio Público, Corações Futuristas, Luiza Porto, Eterna, Painel Esboço, Malariaba (palavra e movimento) e Construção.
Uma característica de Angel, segundo Mariana, é aproveitar bem o material humano que cada um traz para o trabalho que está sendo realizado.
Com ela, o bailarino ou o ator se sente criando com o coreógrafo.
Em 1980, foi feito um trabalho de pesquisa de campo, patrocinado pela Funarte, nas escolas do Rio de Janeiro e também nas favelas, com o objetivo de descobrir qual a parte do corpo que mais se utiliza no dia-a-dia.
Seus alunos iam para as ruas para entender até que ponto a dança, fosse clássica ou contemporânea, era importante para as pessoas e quais seriam os movimentos e partes do corpo mais utilizados no dia-a-dia por esse público observado.
O grupo se desfez a partir da conclusão do trabalho, por falta de verba.
Angel trabalha já há algum tempo com deficientes e incentiva que eles façam parte de grupos onde haja também pessoas sem deficiência.
“Ela anda. Eu me Movo.”
Isso ocorre quando eu consigo separar a qualidade do movimento do sentido dele. Do seu conteúdo e da razão que me levou a mover, que me levou a realizar esse movimento.
Experimentar, pesquisar o movimento, é uma proposta da escola de Angel.
Ela recomenda:
MOVER-SE: você tem que se mover querendo ou não!
BRINCAR: brincar com seu próprio corpo.
ARTICULAÇÃO: precisa de movimento.
MOVIMENTO: precisa MOVER.
MOVA-SE SEM PENSAR!
Se somos uma máquina que pensa e sente, precisamos de lubrificação.
E o lubrificante, somos nós mesmos.
Se não as dobradiças vão perdendo os movimentos, ressecando, enrijecendo, quebrando.
Temos que trabalhar as alavancas e as dobradiças!
Dançar supera qualquer dificuldade da vida!
“Dança é puro conhecimento que nasce da prática do corpo.” Mariana Muniz
Breve currículo e foco de pesquisa:
Eutonista de formação.
Trabalhou com Klauss Vianna em 1983 no Grupo Experimental do Balé da Cidade de SP.
Investiga a palavra e o movimento e as motivações do corpo-movimento tanto no Ocidente, como no Oriente (pesquisa sobre artes corporais orientais).
“…Até estar com Klauss e Angel, eu sabia ter capacidade técnica para me mover, mas não tinha ciência do Fazer, do Mover, do abrir espaço para o sentir, para o estado proposto por eles de habitar o meu corpo, de estar no meu próprio corpo.
Passei a sentir, manter e refinar a habilidade técnica, porém com conexão com o Fazer e com o Ser. Tomei ciência de que estamos nos construindo no percurso do fazer, e essa é uma conexão de qualidade!”